Ele, que está cada vez mais ausente na selvageria que o homem criou, e cada vez mais presente e gritante nas perturbações do pensamento, que foge da realidade objetiva e se volta cada vez mais profundamente para o real subjetivo do homem, que vive agora em mim, em meus pensamentos; usa uma linguagem conhecidamente desconhecida, e mesmo mudo me fala do mundo, de mim mesmo, dos outros, porém só não fala de si. Astuto e egoísta ele me suga a alma.
O silencio é um companheiro mudo, frio, amargo. Ele é um cara compreensivo às vezes, mas distante mesmo estando ao nosso lado. É mágico, está além do bem e do mal, respira o surreal, expira o real, e nada é mais real que o sofrimento, e pouca coisa é mais surreal que a neurose do silêncio. Quem dera fossem coisas tão diferentes.
Ele me ensurdece, me ouve, ri de mim mesmo sem emitir sons. Ele me deixa na dúvida, me mostra a fragilidade escondida, a qual não sabia da existência. Faz de um homem uma criança, e nos dá o poder do sentir; aflora nossas idéias mais íntimas.
Ele é um companheiro da solidão, mas chega a ser mais que humano, pois é, ele, um homem que não revela sua identidade.
Róbson Henrique, 2007.